Olinda, oh lindíssima mente !

“Olinda quero cantar a ti esta cançãoTeus coqueirais o teu sol o teu mar fazem vibrar meu coração de amor a sonhar minha Olinda sem igual Salve o teu carnaval! “
Hino do Elefante/Clídio Nigro/Clovis Vieira)
– “Ah!Ah!Ah! Ah!Ah!Ah! Ah! Ah!”
Eu poderia começar a viagem com a risada esculhambada de Dona Selma do Coco, uma Clementina que ainda não encontrou seu Hermínio Belo de Carvalho. Com seu jeito debochado de ser: “oi pega pega minha rola!”, ela é um requinte popular de Olinda. Vários discos individuais, alguns em selos internacionais, nenhum ainda gravado no Brasil. Encontro-a primeiro no Alto da Sé – vestido estampado com a paisagem de Recife ao fundo – gravando matéria para uma televisão. Mais tarde – eu e Deus, digo, Jesus, nosso fotógrafo – fomos levados à sua casa por Ivan e Manuel, nossos fiéis cúmplices nessa travessia pernambucana. Ao voltar à Olinda, vinte e tantos anos depois, é ela quem me vem à memória, em forma de coco, este ritmo de escravos criado na quebra da mais popular fruta de nossos trópicos. Ela e o Professor Mota Menezes, que reside em Recife, mas que é um dos grandes conhecedores da história arquitetônica dessas cidades-irmãs. E também Mestre Salustiano, Bajado e tantas outras ricas personagens que Olinda tem, teve e terá.
Primeira capital da Província de Pernambuco, capitania confiada por Dom João III ao Governador Duarte Coelho Pereira em 1534, foi proclamada vila em 12 de março de 1537. No parecer de cronistas, foi ele quem disse a frase que se imortalizaria: “Oh! Linda situação para se construir uma vila.” E a vila cresceu, foi uma das primeiras capitais econômicas e culturais do Brasil, prosperou com a consolidação de uma açucarocracia que vicejava naqueles primórdios coloniais. Foi isso que despertou a cobiça da pirataria, de franceses e holandeses, culminando com a invasão holandesa, que por mais de duas décadas manteve o Nordeste mergulhado em contendas.
Foi em Olinda, neste período, que despertou o chamado espírito nativista, berço de um espírito nacionalista, com Felipe Camarão e Henrique Dias como os primeiros heróis. Também foi criada em Olinda a primeira faculdade de Direito e a primeira câmara de vereadores do País.Olinda teve seus períodos de auge e de decadência, antes de ser considerada Patrimônio Histórico, Cultural e Natural da Humanidade.Ao visitá-la hoje temos a convicção de que realmente estamos em um lugar especial, tanto pela riqueza natural como pelas marcas distintas que o homem deixou e ainda deixa por lá. Sempre cantada e envolta em fascínio, Olinda é linda, Olinda é lenda.
Rubro veio da memória
Revisito Pernambuco, depois de ter vivido por aqui alguns anos, década de 70, entre os bairros de Dois Irmãos e Casa Forte, em Recife; Bonsucesso e Alto da Sé, em Olinda, onde aprendi a enxergar o Externo e o Interno, onde passei a amar a Arte e aos semelhantes, independente de Gostos ou Estéticas. E foi onde aprendi a possibilidade de com-vi-ver com este maravilhoso cenário. Oh linda, situação!… Retornar à Olinda, quase trinta anos depois – rever as ladeiras, o casario, os monumentos, ateliers e quintais, sentir as batidas dos maracatus, o erudito e o popular convivendo nas mesmas ruas – tem para mim dimensão fantástica.Eu declarei meu amor por Olinda, aliás, em 1973,com o evento multimídia e coletivo intitulado Fiesta en Oh! Linda (Abelardo da Hora, Raul Córdula, Roberto Lúcio, Zé Ramalho, Dudu Stuckert e Tiago Amorim, entre outros, participaram), num mês de outubro no Museu de Arte Contemporânea – instalado no prédio do antigo Aljube (cadeia eclesiástica) na rua 13 de Maio -, onde realizei minha primeira e diferenciada curadoria. Apesar da ousadia da proposta, que reunia vários artistas e mídias, o evento não até hoje não apareceu dignamente nos registros das Artes do país. Isso não é o mais importante e até nos redime.
Não consigo evitar um calafrio ao entrar novamente em Olinda pelo Varadouro. Além da risada que Dona Selma dá, o que ouço é a Minha Ciranda, com Lia de Itamaracá, outra instituição popular pernambucana. Meu arrepio é de quem viveu em Olinda os primeiros amores, cheiros, prazeres e descobriu sem bloqueios a afetividade; de quem dançou cirandas com os pés nas areias praianas, tomou cachaça no boteco imaginando a chegada de Antonio Silvino para o julgamento, conforme lido num cordel.
Para mim, estar em Olinda – e sei que para muitos outros – é estar em Recife, Pernambuco, e vice-versa.(Ao chegar ganhei o cd Olinda Quero Cantar, produzido por André Buarque, que começa com o Hino do Elefante, bloco carnavalesco local, gravado ao vivo pela TV Viva em pleno carnaval de rua. Na seqüência, há um desfile de valores locais, entre eles Dona Selma do Coco, Erasto, irmão de Naná Vasconcelos, Maracatu Nação Pernambuco – todos cantando os encantos de Olinda.
Se há um lugar onde o Brasil mostra mais claramente suasíntese é Olinda – com todo respeito a outros paraísos. Um dos primeiros centros econômicos e culturais do Brasil no período inicial da colonização portuguesa – há notas de que em 1515 já haviam moradores e produção de açúcar na região -, passou a ser grande exportador para a Europa anos depois. Daí sua riqueza, sua “linda situação para uma vila” e as suas fases importantes na História.Encontro uma referência interessante no livro Rubro Veio, de Evaldo Cabral de Mello sobre as guerras pernambucanas (situar período): “Se a perda de Olinda é a história de uma queda, o período inicial, fundacional, da Nova Lusitânia tornava-se automaticamente a vivência de um paraíso terreno. A idealização do primeiro século pernambucano iniciou-se, assim, com o primeiro cronista das guerras holandesas, exemplo que será seguido pelos autores nativistas que mitificaram invariavelmente o período, transformando-o na Idade de Ouro da capitania. “Não parecia esta terra senão um retrato do terral paraíso”: com esta sentença Calado rematou sua descrição de Pernambuco às vésperas da ocupação holandesa.
Mas os aspectos por ele privilegiados não são os convencionalmente associados às representações clássicas do Éden, que fixavam preferencialmente, como assinalou Sérgio Buarque de Holanda, as categorias que dizem respeito à natureza física: a fertilidade e salubridade da terra, a temperança do clima, a abundância de víveres, a variedade da flora e da fauna, a riqueza do subsolo, etc. Calado destacou tão-somente a prosperidade material (“o açúcar (era) tanto que não havia embarcações para o carregar”) e suas repercussões ao nível do consumo e do estilo de vida dos povoadores sob a forma de gosto ostentatório: “delícias de mantimentos e licores”, “fausto e aparato das casas”, “o ouro e a prata (…) sem número”, “finas telas e ricos brocados”, “jóias (…) pérolas, rubis, esmeraldas e diamantes”, “adereços custosos de espadas e adagas”, ” banquetes quotidianos, “escaramuças”, “jogos de canas”. Destarte, a descrição de Lucideno não se alijava sobre a noção de ‘paraíso terrenal’, e se o seu autor usou a expressão consagrada o fez apenas como um rótulo que pespegou displicentemente a uma categoria diferente de fatos. “
O aroma da cana macerada sobe das folhas pisadas sem cerimônia no pátio do Mercado Eufrásio Barbosa, local onde funcionou a primeira Casa da Alfândega de Pernambuco. O lugar foi também a Fábrica de Doces Amorim Costa Ltda., abrigando hoje – além do mercado propriamente dito – um espaço cultural, com palco para shows e ensaios de grupos regionais, além de abrigar outras manifestações, lojas de artesanato, livraria e botequins.
Do nome próprio de Olinda
E retornamos à questão já indagada: “O que há por trás de um nome?” Dizem, em geral, que foi Duarte Coelho Pereira quem o conferiu, mas há historiadores e estudiosos que discordam. Há quem defenda ter sido um serviçal de Dom Duarte a proferir a frase, por sua vez atribuída ao seu Senhor. Encontramos no entanto outras probabilidades colecionadas por Gilberto Freyre em seu referencial Guia Prático, Histórico e Sentimental de Olinda, do qual encontro a edição ilustrada de 1968.A partir delas e de estudos de outros escritores sobre Olinda – Evaldo Cabral de Mello, Licídio Varejão e Luiz Beltrão, além de José Luiz Motta Menezes e Vera Milet que também foram fundamentais – reunimos elementos para uma visão primeira e possível da cidade onde a miragem é vida.
Visão que pode ser histórica, lembrando pioneiros e pioneirismos ao longo da História e a tradição de resistência dos nativistas. Visão que pode ser da memória oral, dos muitos tipos populares que sempre povoaram o imaginário local. Visão que pode ser virtual, “a da cidade que se deseja”, como sugerido pelo pintor João Câmara, que confessa viver “em Olinda hoje como viveria em qualquer cidade do mundo”.”Diz-se que foi assim”… escreve Gilberto Freyre para tratar do nome próprio de Olinda: …”hum Gallego criado de Duarte Coelho(…) andando com outros por entre o matto buscando o sitio em que se edificasse (a vila), achando este que se que he em hum monte alto, disse com exclamação e alegria, Olinda.”Foi esta a tradição que Frei Vicente Salvador recolheu nas notas de História do Brasil que acabou de escrever no ano de 1627.
Outro frade, Dom Domingos de Loreto Couto e depois dele o inglês Southey, defendem em seus escritos que o próprio Duarte Coelho, primeiro donatário de Pernambuco, exclamou diante do monte: “Ó linda situaçam para se fundar huma villa!” Oh! linda teria se aquietado em Olinda.Varnhagem, por sua vez, insinuou que o nome referia-se a uma quinta ou burgo de Portugal, lembrando ainda que Olinda era também o nome de uma das belas damas da novela Amadis de Gaula, cuja leitura estava em moda em Portugal naqueles primeiros tempos de colonização do Brasil.
Eis a História
Paranambuco é palavra indígena que significa buraco do mar, mas os portugueses que aqui instalaram-se nos primórdios da colonização portuguesa passaram a chamar a região de Pernambuco, dando o nome a uma das capitanias hereditárias, doada por Dom João III em 1934 a Duarte Coelho Pereira.Coelho chegou primeiro em Itamaracá, indo depois para Igarassu, fundando a Vila dos Santos Cosme e Damião, onde fica a que é considerada a igreja mais antiga do Brasil. Seguiu para junto dos índios Caetés e fundou Olinda, em 12 de março de 1536. Esta uma das versões.Uma outra diz que: “Duarte Coelho Pereira, Senhor de uma capitania delimitada por El Rei, na carta de doação, chegou à localidade hoje denominada Itamaracá no dia 9 de março de 1535. Entrando em luta contra colonos da terra, conseguiu desalojá-los de sua aldeia num morro que veio a denominar de Vila dos Santos Cosme e Damião.”
Duarte Coelho tinha sessenta léguas para instalar a sede da capitania. Segundo alguns historiadores, o povoado de Olinda teve origem em 1535 com a chegada do donatário, “nobre guerreiro lusitano”, às terras da Nova Luzitânia. Em 12 de março de 1537 Duarte Coelho deu a Carta Forae à Olinda, dando-lhe a categoria de vila. (Foral era um instituto gótico que os reis Godos adotavam para assegurarem o direito de propriedade. Valia como um registro de nascimento e era resultado de um concílio de bispos com senhores da terra).Duarte trouxe a família para o Brasil, trouxe povoadores do Norte de Portugal e judeus, “incluindo alguns judeus pobres de marré, mas que eram homens que sabiam articular negócios muito bem”, explica bem o professor Motta Menezes.Deliberada a mudança para o local, antes chamado de Marim dos Caetés (Marim ou Barim, quer dizer coxo em língua indígena, refere-se a um defeito que Duarte Coelho teria adquirido em combate com os índios), veio a faze-lo depois de vencer os tabajaras em 27 de setembro de 1535. Olinda foi capital de Pernambuco por três séculos. Recife servia então apenas de porto para a capital. Durante mais de dez anos as áreas de Igarassu e Olinda foram controladas por Duarte Coelho, que criou os primeiros engenhos, desenvolvendo a cultura da cana-de-açúcar. O número de engenhos aumentou, dando impulso surpreendente à região, desenvolvendo a vila não só econômica como intelectualmente, com a implantação de mosteiros, conventos e do Colégio Jesuíta . Em 1554 já despertava a cobiça de franceses e holandeses. Em 1630 os holandeses desembarcaram na praia de Pau Amarelo, para uma ocupação que durou 24 anos.
O príncipe Maurício de Nassau chega, anos depois, com uma visão muito mais de estadista do que comercial. Interessado nas ciências e nas artes trouxe jovens artistas, cientistas e pensadores neerlandeses, entre eles Georg Markgraf, Frans Post e Gaspar Barleus. O período nassauviano, como é chamado pelos historiadores, compreendeu a reconstrução de Olinda, incendiada pelos próprios invasores holandeses, como também o desenvolvimento urbano do Recife: a construção de pontes e do Forte das Cinco Pontas e dos Palácios Friburgo e Boa Vista, a abertura de ruas, canais e a criação do primeiro jardim botânico da América Latina. A Companhia das Índias passou a exigir de Nassau, em 1640, a cobrança das dívidas e impostos dos luso-brasileiros. Ele não acatou as ordens e foi obrigado a deixar o Brasil. Em 1645 acontece a Insurreição Pernambucana – movimento rebelde contra os holandeses. Pernambuco foi aliás decisivo na expulsão definitiva dos holandeses do Brasil, especialmente nas Batalhas dos Guararapes, em 1648 e 1649, acontecidas onde está hoje o Parque Histórico Nacional dos Guararapes, no município de Jaboatão dos Guararapes.Restaurada a dominação portuguesa, em 1654, a vila foi recuperada e reconstruída aos poucos. Em 1676 cria-se a Diocese de Olinda, sendo a vila elevada à categoria de cidade, permanecendo como capital do Estado até 1827.Por seu especial traçado urbano e por seu acervo arquitetônico, cultural e natural foi tombada pelo Governo Federal em 1968, como exemplar cidade colonial brasileira. Em 1982 recebeu da Unesco o título de Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade.Possui a maior área tombada do país.
Pioneirismos olindenses
Foi em Olinda que a esposa de Duarte Coelho (alguém registrou seu nome e outros detalhes?) tornou-se a primeira mulher governante de que se tem notícia na América, ao substituí-lo por breve período no governo da Província.E Olinda, registrou Gilberto Freyre, talvez seja isto: “um nome de mulher”. Figura feminina guardada pelo Leão do Norte, como fica conhecido Pernambuco já naquela época, numa referência ao leão heráldico dos Coelho.Entre os muitos pioneirismos, os pernambucanos são orgulhosos em terem sido os primeiros nas idéias nativistas durante a expulsão dos holandeses, pioneiros nas idéias libertárias do Movimento Republicano de 1817, na Confederação do Equador, a Revolução Praieira, a Guerra dos Mascates e outras passagens importantes de nossa História. Ao olharmos para Olinda vemos um cenário vivo de nossa brasilidade, trazendo através de quase cinco séculos a designação da bela e tradicional cidade brasileira, com um passado que a marca como pioneira na emancipação social, pioneira na abolição dos escravos, pioneira na literatura nacional, pioneira na luta contra a cobiça do invasor flamengo.Não mais a cidade sitiada, incendiada, mas a cidade virtual que as pessoas criam a partir de seus infomundos. A cidade idealizada há quase quinhentos anos como embrião de uma cidade moderna, sobrevivendo para o novo milênio.Se acham pouco podemos dizer ainda da luz de Olinda, do metamorfosear de seu mar multicolorido, da gente culta (e cordial) olindense, com a aura brilhante de seres paralisados no tempo,que ainda podem ser encontrados nas portas e janelas de seu humilde mas digno casario, arranjado artisticamente nas ruas estreitas com “cheiro moreno de Olinda linda!”
São muitas as expressões do homem e da natureza que nos fascinam em Olinda. Talvez seja reflexo desta atmosfera histórica, sempre presente, o testemunho de outros tempos vividos, o contraste da marca humana com a Natureza esplendorosa,que em Olinda reveste-se de magia.Revisito, sobrevoando, telhados e quintais, o Horto de El Rey ou simplesmente mergulho em áreas e espaços com alta densidade de palmeiras imperiais, pés de jaca, mangueiras, bem como grande variedade vegetal. Ou dissolvo-me em águas cristalinas, óbvio que um pouco distante dos centros. Com as igrejas e casarios me amancebo, rememorando João Cabral de Mello Neto, poeta da terra e um dos melhores do mundo.
Eco-OlindaEssa situação, bela para a vida, explica também a sinfonia de pássaros que povoam casas e quintais. Conta-se, aliás, que Olinda foi outrora paraíso dos passarinheiros. Tempo em que todas as casas exibiam uma gaiola artesanal com um passarinho cantor.Hoje, pássaros e poesia correm risco nas ladeiras, mas qualquer um é fisgado pelo perfume de jasmim, benjoim ou mijo, pois que são assim as surpresas nas ruas olindenses.Pablo, jovem funcionário da Pousada do Amparo, diz com ênfase: “Não existe nem uma cidade Patrimônio da Humanidade com tal grau de verdura, que possua uma tal coroa de palmeiras imperiais.”E há também um fator importante, que várias pessoas mencionam e que o pintor e colecionador Giuseppe Baccaro enfatiza: “Olinda é das raras cidades consideradas Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade, mas também Natural. É preciso não só preservar, mas replantar esta rica flora. São quinhentos anos só depredando, tem que se cuidar da natureza”.
Ele próprio tem distribuído sistematicamente mudas de árvores para amigos e interessados. Lembro-me, à propósito de um tal monge beneditino, que exclamava ao observar que “em Olinda os edifícios surgem de dentro da vegetação…como um líquen, uma paisagem não tocada.” Olinda surge assim, como encravada de dentro da massa verde. Como uma diva refugiada entre a relva.”Observa-se a silhueta de uma torre, a ponta de um frontão, um telhado mais alto, cinzas e alaranjados entre a vegetação. E é isso que se vê, de dentro prá fora, de fora prá dentro. Olinda não é Ouro Preto. Ela é pré ou proto-barroca, tem plano urbano do século XVI. Ouro Preto é do século 18 para o 19. Situa-se em pólos mas irradiando para fora”, revela-nos Mota Menezes.
Nos tempos da moxambomba
Em fotos de Olinda, das décadas de 20 e 30 podemos ver a elegante estação de bondes que existia no Carmo, perto da atual agência dos Correios. Mas antes disso, em 1870, já estava em circulação a maxambomba, denominação dada pelo povo à composição férrea da companhia Trilhos Urbanos do Recife à Olinda e Beberibe (de capital nacional), que concorria com a Brazilian Street Railway (inglesa), estabelecida em 1867, explorando as ligações entre o centro urbano (rua das Florentinas) até Dois Irmãos, com ramais para Caxangá, Várzea e Arraial.O trem de Olinda, de acordo com Vanildo Bezerra Cavalcanti “com um percurso total de 12 quilômetros e bitola de 1,32m”, partia da estação localizada na rua da Aurora, esquina com a Princesa Isabel, e seu terminal ficava, primeiro no Varadouroe, logo após, no Carmo. O nome maxambomba era tradução popular da marca de fábrica, inscrita nas suas locomotivas – a Machine Pump.
Entre os casos saborosos que coletou em seu livro intitulado Memória de Olinda, o jornalista Luiz Beltrão cita o confrade e amigo da cidade, ministro José Pereira Lira, que dizia que “nas maxambombas era possível a um homem sentir o sex-appeal dos tornozelos das mulheres quando embarcavam, levantando um pouco as suas compridas saias”.Nas moxambombas, segundo Beltrão, fazia-se política, tramavam-se negócios, principiavam romances a partir de disfarçados olhares de viés, “enquanto o trenzinho resfolegando gastava quase uma hora na viagem.”De um morador da rua de São Bento, o escritor Mário Sette, ficaram registros importantes dessa época, nos livros Maxambombas e Maracatus e Arruar, onde este historiador do pitoresco pernambucano assinala a influência decisiva que o transporte por trens exerceu na “renascença” olindense.E para isso contribuíram as praias, das quais Recife era na época pouco servido. “Graças à maxambomba, Olinda ficou de novo no apogeu, desta vez como estância balneária”, reforça o jornalista olindense. “Os banhos salgados fizeram verdadeira revolução social. Até então seriam apenas “terapêuticos”, depois passariam a ser elegantes”.
“Por conta disso inventavam-se doenças rápidas como nervoso, chiliques, bambeza nas pernas, tédio, para se ir passar as festas na praia.”
– “Donzinha, está muito quenza, apesar de seus 14 anos”.
Ou,
Sinhá tem faniquitos diários sem saber de quê…”
E o médico, para estar na moda, receitava banhos salgados. Assim surgiu o gosto pelo mar. Sabia? As famílias arrumavam rápido a bagagem, escolhiam casa e faziam a mudança para a estância salvadora. Hoje, estando em Olinda, as opções mais interessantes são para os lados de Porto de Galinhas, Maria Farinha, Itamaracá, com seus mangues e águas tépidas.
Foi assim que Olinda viveu sua nova renascença, já que tinha entrado para o esquecimento depois de 1854, quando se transferiu o curso jurídico (o mais antigo do Brasil, junto com o de São Paulo) de lá para Recife. Cheia de si, exibia suas melhores praias: Milagres, Carmo, São Francisco, do Farol, Casa Caiada e Rio Doce. Quase nenhuma oferece hoje atrativos banháveis, mas seguem apresentando seu colorido invejável.”E Recife assistia tudo na bissecular rivalidade fraterna” – conta Luiz Beltrão – “buscando recuperar a supremacia que Olinda retomara como estação balneária, com suas banhistas trocando as anquinhas pelos recatados, mas já considerados atrevidos, trajos de baeta, com seus concursos para a eleição da Rainha das Praias, seus passeios às matas de cajus ou ao Alto da Sé para apanhar pitangas e maçarandubas, com a animação e o brilho da festa do Bonfim, que o doutor Guedes Alcoforado promovia em frente à igreja para marcar a passagem do ano, com serenatas e o carnaval de rua, que encerrava a temporada de veraneio.”
Nação praieira
Apenas alguns anos antes, partira dali da rua de São Bento o grito libertário dos Praieiros, lutando pela implantação do voto livre e universal, pela efetiva independência dos poderes e extinção do moderador, pela federalização.”Olinda já perdera seu título de Coimbra tropical, conquistado nos séculos XVI e XVII, teve repúblicas fechadas, oficinas tipográficas paralisadas, livrarias sem compradores, queda no movimento do comércio, aparentemente uma decadência sem retorno. Apenas o mar e a maxambomba de seu Comber poderiam mudar esta situação..”

Ainda hoje Olinda oferece uma mistura perfeita das muitas culturas que a eternizaram. Nela convivem a arte erudita e popular de qualidade, as etnias principais que compõem a nossa raça, tudo permeado de geral conhecimento e da religiosidade cristã ou pagã que habita templos e terreiros.A música ritmada e contagiante ( tanto o frevo como o maracatu tem sua forma própria de te pegar), do Maracatu Nação Pernambuco, Baque Solto e Baque Virado ao frenesi da Nação Zumbi, do aboio urbano de Alceu Valença ao technomouro Otto, sem falar em Mestre Salustiano, professor inigualável e divulgador da rabeca, que orgulha-se de haver ensinado Chico Science, Antonio Nóbrega e o Siba, rabequista do grupo Mestre Ambrósio. Mas há outras ramificações. Tem Lia de Itamaracá, Serginho d’Olinda, Cascabulho, Romançal (desdobramento do Quinteto Armorial),Sá Grama, Erasto Vasconcelos, Dona Selma do Coco, inumeráveis raízes fortes e diluições do frevo, coco, forró e maracatu.A comida, variadíssima, está em toda parte. Tanto as tranqueiras dos barraqueiros, com seus caldinhos – no Mingau da Bebé encontra-se um insuperável mingau de cachorro (veja a receita)- , cachaças e cervejinha gelada, como restaurantes tradicionais com pratos à base de frutos marinhos (há lagostas divinas) ou de tradição sertaneja, como a carne de sol com paçoca e manteiga de garrafa, galinha de cabidela com macacheira e o chambaril. E dê-lhe suco de frutas regionais. Além, of course, de uma nouveau cuisine nordestine. Comida variada e saborosíssima, praias, cachaça e sucos de frutas regionais, boa música e gente bonita são primorosos ingredientes para uma feliz satisfação. E precisa mais???
É Carnaval!!
Ah! O carnaval! E o carnaval em Olinda é algo para além do fenomenal. De um carnaval de rua tranqüilo e bem animado que conheci no início da década de 70 chegou-se à grande explosão que beira ao caos nos dias de hoje. Tudo com certa harmonia, apesar de que a violência já mostra suas garras na região durante todo ano, acompanhando uma tendência mundial. Estima-se que na Cidade Histórica, que não abriga normalmente mais de 20 mil habitantes, chega-se no carnaval a uma população fixa ou flutuante de quase 700 mil pessoas a cada ano.São muitos turistas, do Brasil e do Exterior, que chegam para aproveitar aquele que é considerado um dos mais espontâneos carnavais de rua do mundo.Desde o antigo clube Pastoril Olindense (de 1901) não sai mais às ruas, surgiram muitos outros para animar o frenético carnaval de rua. Pitombeira dos Quatro Cantos, Elefante de Olinda, Eu Acho É Pouco, Vassourinhas, Olinda Quero Cantar, Marin dos Caetés são alguns do blocos, troças e clubes que animam a festa, sem falar das tradicionais agremiações dos bonecos gigantes, entre os quais se destacam O Homem da Meia Noite (que vai ganhar um cine-documentário em breve), A Mulher do Dia e O Menino da Tarde, além dos grupos de maracatu, o rural, o de baque solto e o de baque virado. Como tive o privilégio de visitar Olinda no período das festas juninas, quando a cidade também se veste de alegria e folia, com shows e grupos tradicionais desfilando pelas ruas, pude caminhar tranqüilamente pelas ladeiras, visitar ateliers, museus e igrejas.E lembrei-me do Volpi e sua grande alma, ao ver as bandeirinhas juninas sobrevoando a rua do Amparo.
Pernambucanos de nascimento ou os de espírito, pode-se citar muitos: Joaquim Nabuco, grande jurista abolicionista, o sociólogo Gilberto Freyre, Manuel Bandeira, Clarice Lispector, Cícero Dias e Vicente do Rêgo Monteiro, Mário Pedrosa, Mestre Vitalino, Mário Schemberg, Ariano Suassuna (paraibano adotado), Virgulino Ferreira e Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, Chico Science, Otto e Alceu Valença (este de São Bento do Una), pois são muitos os que adotam ou adotaram Olinda como sua cidade, nascidos ou não em seus limites.Eu mesmo, considero-me olindense desde que lá pisei pela primeira vez. Talvez porque a camaradagem e a hospitalidade sejam especiais em Pernambuco, de modo que fui logo sentindo-me em casa.Maracatu, afoxé, frevo e coco, se quiserem mais tem batucada e mangue beat, gente bonita e forte, mingau de cachorro com Pitú, chambaril e cerveja gelada, sensualidade, arte e religião. Piaba de Ouro, Pitombeira, guerreiros de lança no alto da Sé, o Baque Solto, o Baque Virado, Caboclinhos, Pastoril, Cariri, Caetés. “Olinda mandou me chamar!”
“Eu cheguei nos Quatro-CantosOlhei a Rua 13 de MaioSegui São Bento segui AmparoFui para no BonsucessoMe lembrei de Boi nos AresNo largo do Guadalupe
Olhei Amaro Branco meEncantei com o MonteSubi Alto da Sé
No Cruzeiro de São FranciscoFui para a praça do Carmo naPraça da Liberdade seguiPraça de São Pedro subiMercado da Ribeira desci
Largo de São Bento no largoDo Varadouro na praça doJacaré afoxé afoxé Olindamandou me chamar “(O Guia de Olinda/ Erasto Vasconcelos)

prá quando você for !
Considerada o berço do espírito nativista e da cultura do povo brasileiro, declarada Patrimônio Histórica, Cultural e Natural da Humanidade pela Unesco, seu sítio histórico é precioso em termos de arte proto-barroca, cantaria e arquitetura.Alguns pontos são obrigatórios para quem fizer uma viagem pensando na cultura, na arte sacra e popular.Uma dica é conhecer o Conjunto Franciscano, o primeiro da ordem no Brasil, o Seminário e a Igreja de Nossa Senhora da Graça e a Catedral da Sé, todos no Alto da Sé, o Museu de Arte Sacra, o Museu Regional e o Museu de Arte Contemporânea, instalado numa antiga cadeia eclesiástica, o Aljube.Outra opção inteligente e divertida, em especial para as crianças, é o Espaço Tiridá ou Museu do Mamulengo(com um amplo levantamento da produção dos principais mamulengueiros do Nordeste, com exposição de exemplares, documentação em vídeo, atividades para crianças e biblioteca.Fica na rua do Amparo e a recepção é sempre simpática.Ao lado do Tiridá fica o atelier-oficina de Silvio Botelho, o principal bonequeiro da cidade. Pode-se ver não só bonecos gigantes clássicos no carnaval olindense, como o Homemda Meia Noite e a Mulher do Dia ou bonecos gigantes reverenciando figuras populares, como Capiba, Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga e outros. Biscoitos finos e licores na Igreja do Monte, canto gregoriano nos finais de tarde e manhãs de Domingo no Mosteiro de São Bento, além dos Passos (pequenas capelas que representam a Via Sacra) são algumas das visitas que valem à pena para quem visita Olinda em qualquer época do ano.
Os meninos da instituição Guias Mirins de Olinda oferecem-se para orientar o visitante, levando-o aos pontos históricos com uma narrativa decorada e muitas vezes incorreta, mas são uma tradição importante na cidade, assim como as tapioqueiras do Alto da Sé, que oferecem uma deliciosa tapioca com queijo coalho, que permite uma descontraída conversa enquanto se admira a paisagem. Outras sugestões são a Estação Ciência Em Olinda fica localizado o Centro de Convenções de Pernambuco, um dos maiores e mais modernos do país, um sofisticado Playcenter e um conjunto de diversões aquáticas.

Gente que viu, gente que mora !
Uma viagem por Olinda através da Arte remete a uma viagem através da Arte a partir de Olinda. Por lá passaram Frans Post, Makgraf e Gilles Peter, dizem que até Charles Darwin. Hoje não são menos importantes alguns artistas que vivem e trabalham na cidade. Pelas ruas de Olinda encontra-se grande números de ateliers, onde trabalham artesãos ou artistas plásticos, que potencializa tradição olindense, de ser uma cidade de idéias e artistas. Alguns destes novos olindenses nasceram mesmo lá ou nas proximidades, incluindo Recife, outros – e não são poucos – vieram de mais longe e de lá saíram mais. Mas Olinda nos obriga a circular por suas quadras, a lançarmo-nos de novo à vida e ao mar.
Assim é Olinda, famosa pelas comunidades artísticas que tiveram movimentaram a cena local a partir do final dos anos 60, início dos 70, como o Sobrado 7, o Movimento da Ribeira, o +10, a Oficina Guaianases (surgida em Recife mas transferida, num segundo momento, para Olinda) e a Oficina 154, reunindo em torno de seu eixo, atravessado desde o Alto da Sé, energias artísticas e ideais como os de Adão Pinheiro, Giuseppe Baccaro, Anchises, Raul Córdula, João Câmara, Montez Magno, Luciano Pinheiro, Guita Charifker, Mariane Peretti, José Barbosa, José Patrício, Petrúcio Nazareno, Teresa Costa Rêgo, entre tantos outros. Como Luciano Pinheiro, que chegou em Olinda em 1965 vindo da próxima de Recife. Iniciou-se como artista na Oficina 154, com Adão Pinheiro, Zé Barbosa e outros do Movimento da Ribeira, da Cooperativa de Artistas Plásticos 154, da Oficina Guaianazes, com João Câmara e Delano, que nos anos 80 trazem a oficina litográfica de Recife para Olinda. Participou do Atelier Coletivo de Giuseppe Baccaro entre 89 e 93, com Gilvan Samico, Guita Charifker, Gil Vicente e Eduardo Araújo. Desenvolve hoje um trabalho maduro, conectado com o que apelidou de “picadeiro cósmico” no qual prepara ou recebe, no Alto da Sé de Olinda, suas obras atuais como uma anunciação corretamente contemporânea. Um dos endereços em que prazerosamente fui parar foi na rua XV de Novembro, quase Varadouro, no atelier-casa de Raul Córdula e família. Ele e Amelinha é que me ajuda a encontrar tudo e todos em Olinda, além de oferecer a única e deliciosa galinha de cabidela light da cidade.Outras visitas sempre transbordantes de lembranças e novidades são os ateliers de João Câmara e Roberto Lúcio, ambos nascidos em João Pessoa mas já incorporados ao circuito artístico de Olinda. Instalados na ladeira de São Francisco, prosseguem praticando seu amor à Arte e à cidade, com suas respectivas sapiências, matutando a vida, inventando histórias em conversas longas com os amigos. Importante artista plástico brasileiro das três últimas décadas, João Câmara nasceu na Paraíba, veio menino para Recife, entre 1963/64 foi chegando para Olinda e ficou. Participou do grupo fundador do Movimento da Ribeira, em 1965 e do grupo + 10, nos anos 70, com Anchises, Maria Carmen, Wellington Virgulino e Montez Magno. “Olinda lembra-me um pouco João Pessoa, com suas ladeiras”, descarrega o artista. Veio cedo viver em Recife, que era a terceira capital do país na época, só perdia para Rio e São Paulo: “Vim para Olinda também pelo fato de ser ela encastelada. Na época já havia aqui quase que uma comunidade. Olinda reuniu artistas das mais variadas escolas. Tem uma fusão com o regional, com a iconografia, com a arquitetura, com a paisagem. Há aqui uma sociedade de artistas não tipicistas, que mantém uma tradição da pintura como ofício – José Claudio e Samico são bons exemplos, artistas da persistência no ofício. Aqui você tem a arte popular, a madeira, o entalhe; Tiago Amorim com sua cerâmica, todos vivem o aperfeiçoamento do ofício. Artistas que poderiam estar em Milão, mas que atuam na permanência a partir de Olinda.”
E prossegue ainda: “Sou um pintor que atua com a informação, com uma espécie de colagem eletrônica, caso de meu último livro, onde o Cubismo, o Surrealismo assumem a velocidade de inserção própria da informática. Vivo em Olinda porque é uma cidade com um fundo histórico, uma arquitetura, um mar, um ar, uma luz. Considero Olinda uma província particular. Mesmo morando em New York você vive onde exerce sua fantasia. A cidade virtual é a que está dentro de você…onde quer que você esteja…Não tenho encantamento pelo pitoresco…Tolstoi: ” pinte a tua aldeia e pintarás o mundo”….Ao que eu completo: “Pinta tua aldeia e pintarás o mundo e a tabuleta do barbeiro…””Olinda, como Recife, tem uma arquitetura importante ,que nasceu não só da ação jesuítica, mas de ações e movimentações modernas, herdadas de tempos de resistência consolidada, de uma confirmação crítica e dialética. Daí, o pernambucano ser bastante crítico. E minha formação intelectual é” – diz ele – “pernambucana.”Sobre a Olinda de hoje, Câmara diz: “Há poucos recursos para desenvolver uma política de recuperação, de conservação. Havia um sonho do Aloísio Magalhães (quem melhor pensou Olinda). Era seu sonho criar um distrito cultural. Imaginou também – como Ouro Preto – um miolo de caráter histórico, não só a cobertura do Instituto do Patrimônio Histórico, como uma estrutura administrativa mais localizada. Isto permitiria enxergar, entender para resolver os problemas. O que a cidade deve ser, para que um não faça dano ao outro…” “Olinda é uma espécie de província escolhida, desejada. Aqui se mora na cidade não como ela está, mas como você a deseja… A história que você inventa para ela.”
Mariane Peretti, artista que criou obras artísticas para vários projetos arquitetônicos de Oscar Niemeyer, entre eles o da Catedral de Brasília, nasceu em Paris, viveu muitos anos em Recife e hoje vive a alguns passos da Rua do Amparo. O que atraiu Mariane para Olinda foi o fato de ser “um lugar de luminosidade especial, ter mar, um pouco parada no tempo, lugar ótimo para trabalhar com arte”. Uma figura icônica na Olinda histórica e atual é Giuseppe Baccaro, italiano de Gênova que movimentou o mercado de arte em São Paulo antes de fixar-se em Olinda, no final dos anos 60. Ali, como um estranho tabaréu envolveu-se com a comunidade carente e criou a Fundação Casa da Criança. Também pintor, convive com sua excêntrica biblioteca, uma surpreendente coleção de mapas antigos e obras de arte, além de seguir tocando projetos de exposições. Fora isso ele sonha recuperar a Casa da Criança, que manteve desde a década de 70 e que foi desativada por falta de recursos. Nas noites de Olinda as visitas aos amigos, artistas ou não, dão um toque de humanidade irrepreensível que o mundo contaminado da comunicação globalizada não alcança. Olhando o esplendoroso quintal verde de Guita ouço Baccaro falar sobre o Horto del Rey, dos subterrâneos da cidade que ainda guardam tesouros escondidos, do avanço da informática e do mercado devastador. E pensar que tudo isso, as chamadas sete colinas (ou serão cinco apenas) que formam Olinda eram um sítio sagrado do Caetés. Sobre Olinda podemos sonhar com os versos deixados pelo poeta Carlos Penna Filho – autor, com Capiba, de A Mesma Rosa Amarela: “Não se diz é lá que eu moro, se diz é lá que eu vejo…”

Texto publicado originalmente na revista Horizonte Geográfico 1999

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Um comentário sobre “Olinda, oh lindíssima mente !

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